Dom de ser poesia

Pensando, matutando, planejando, assim, abruptamente, resolvi que vou publicar poesia aqui no guardador. Aquelas poesias que sinto que tenho que compartilhar, as poesias que quando leio parece que foi eu que as inventei de tanto que expressam algum sentimento que tive em comum, ou como quando disse Mário Quintana:

“Qualquer ideia que te agrade,
Por isso mesmo… é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua…”

Quando publicar as poesias, elas sempre virão com esse título de postagem: Dom de ser poesia, termo extraído da poesia do mestre Manoel de Barros.

E para começar tem esse poema do Paulo Leminski, chamado Bem no fundo. Segue ele abaixo:

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s